entre os dias 26 a 30 de julho, fui a tefé (AM) para uma visita ao coletivo da rádio voz da ilha. O coletivo foi contemplado com um transmissor através do concurso Radiotrans, promovido pelo Descentro, e fui convidado para entrega-lo, auxiliar no início do seu uso e realizar uma vivência, com troca de informações e conhecimentos entre o coletivo amazonense e o coletivo rádio amnésia.

a rádio ficará localizada em uma escola do bairro abial, da periferia de tefé. o bairro é separado da maior parte da cidade por um igarapé, que é atravessado em pequenos barcos chamados catraias. essa separação talvez seja a principal causa de uma distância mais importante, simbólica, do bairro em relação à cidade. o local não conta com recursos e equipamentos públicos, e eu pude perceber que o bairro e sua comunidade são vistos com discriminação pelos habitantes do “centro”. a iniciativa do coletivo, formado principalmente por adolescentes, tem como um de seus objetivos mudar a imagem da comunidade e vencer o preconceito, ao mesmo tempo em que cria um novo foco de articulação, informação e entretenimento.

nos encontramos pela primeira vez na noite do dia 26, no abial. foi quando conheci o grupo. conversamos e falamos sobre a origem e os propósitos de cada grupo e a visão sobre radiodifusão livre. também neste momento estava o guile, da rádio xibé, da qual também faz parte o seginho, que foi quem inscreveu o projeto da voz da ilha. falamos um tanto sobre os desafios de uma nova rádio. dei uma olhada no local onde ela será instalada, e repassei as informações sobre os requisitos de estrutura para a antena. como eles não tinham ainda essas informações, não tinham ainda um suporte para a antena ficar à altura correta.

já no dia seguinte começamos a correr atrás disso. serginho conseguiu uma doação, mas que só seria liberada no dia 31. então fomos fazendo outras atividades. a tarde do dia 27 foi dedicada a uma demonstração da montagem da antena e do uso da aparelhagem de som, já que a maior parte do pessoal não tinha tido ainda um contato com essas ferramentas. durante boa parte da tarde fizemos exercícios com a mesa de som, microfone, placa de som, brincamos com efeitos e gravações, e gravamos um debate entre nós sobre software livre, iniciado com o relato de serginho da experiência particular dele. no fim da tarde fomos ao laboratório de informática e cadastramos todxs no blog radiotrans, e alguns fizeram posts sobre as atividades. relemos o edital radiotrans e o projeto enviado pelo coletivo. concordamos que é importante revisar o planejamento proposto, propondo mudanças se for necessário.

no dia 28 eu participei de uma oficina de produção de minitransmissores, oferecida pelo coletivo voz da ilha. essa é uma atividade que eles costumam realizar nas comunidades onde atuam. a produção é relativamente simples, e demanda poucos materiais. estes, no entanto, são pouco familiares para a maioria das pessoas e podem não ser tão fáceis de encontrar. segundo serginho, o custo total é de cerca de 8 reais por minitransmissor. todas as pessoas presentes produziram os pequenos aparelhos, enquanto conversávamos sobre diversos assuntos, trocávamos histórias, etc. um dos assuntos da conversa foi a descrição do processo de emissão e recepção, codificação e decodificação. ao final, assistimos ao vídeo “No ar”, que mostra um pouco da experiência da amnésia em olinda, e debatemos. tentei aproveitar o filme pra demontrar a importância de pensar a política de conteúdo da rádio.

para o dia seguinte marcamos uma visita á rádio xibé, filmando no caminho para a produção de um pequeno vídeo. a chuva atrapalhou esse compromisso. quando nos encontramos, já quase no fim da tarde, não havia mais tempo para as duyas coisas, então optamos por somente filmar, no abial mesmo, entrevistas entre nós e imagens do bairro. ao longo dos dias, conversamos também sobre a rede de rádios livres, o encontro e o festival que serão realizados no rio de janeiro. o coletivo já está se organizando para participar dessas atividades.

o coletivo da rádio voz da ilha é beeeem jovem, e tem bastante energia. conversando com guile, nos preocupamos bastante com os perigos relacionados à poítica local, que logo deverá tentar cooptar a nova rádio, ou combatê-la. achamos que é importante manter o contato, a proximidade e o suporte para que tudo corra bem e a rádio siga se constituindo como um espaço de comunicação livre. a turma está ansiosa pra contribuir com a comunicação no bairro, e tem uma perspectiva de atuação bem voltada pra comunidade. contam com a experiência da rádio xibé, também da amnésia e do próprio descentro. pensamos em propor ao coletivo rádio amnésia utilizar parte dos recursos do novo prêmio de mídia livre, ganho recentemente, para mais uma atividade em tefé. foi iniciada inclusive uma articulação com lideranças indígenas tikuna, e a proposta é auxiliar a formação de uma rádio na reserva, junto com o coletivo voz da ilha.

para ver todas as histórias dessa clássica interação, clique aqui!

e que cresça a rádio caçula do amazonas!

Rolou um debate no FISL sobre rádio livre e estúdio livre, e o pessoal tá confundindo rádio livre com rádio pirata. abaixo segue uma perspectiva que visa enfrentar juridicamente o debate sobre a legalidade ou ilegalidade das transmissões sem fins lucrativos, em frequências livres, promovendo a liberdade de expressão:

ois,

só para apresentar uma outra interpretação sobre a legalidade das rádios livres, diferenciando-as das rádios piratas.

as rádios livres não têm interesse de lucro, e é por meio delas que existe hoje um canal onde se exerce o direito fundamental de liberdade de expressão previsto na declaração universal dos direitos humanos (1948), no pacto de san jose da costa rica (1969) e na constituição brasileira de 1988, em seu artigo 5.em nenhum outro tipo de rádio o acesso irrestrito à tomada da palavra está garantido.

a constituição brasileira prevê também que se priorizem conteúdos regionais e locais nas transmissões dos meios de comunicação social (além deixar explícito que estejam vedados monopólios e oligopólios sobre os mesmos). enunciando a necessidade da complementariedade entre os serviços educativo, comercial e público…

sobre o regime de concessão, existe publicado por aí umas reflexões que entendem o meio por onde trafegam as ondas como um bem ambiental, o ar, que no art 225 da constituição incumbe ao poder público sua gestão, o que é totalmente diferente da visão de um estado proprietário do éter nacional… munidas de um relatório técnico de impacto ambiental, as rádios estariam habilitadas a transmitirem em frequencias verificadamente livres (o que não é o caso das grandes metrópoles, mas da maioria das localidades). se levamos a sério A lei maior, a constituição, em pleno movimento de digitalização das transmissões analógicas – mesmo diante de tão pouca discussão pública – é fácil conceber um sistema de outorga que simplesmente divida o espectro disponível em 3 faixas e promova finalmente a complementariedade dos serviços, deixando uma faixa absolutamente LIVRE para apropriação social, como vem elaborando o movimento do espectro livre (open spectrum).

as rádios piratas não são apenas as que não têm concessão, mas as que promovem comércio com o meio e proselitismo (basta lembrar a quantidade de rádios evangélicas que prolifera brasil afora).com grandes potências e mal reguladas, causam interferências que fazem confundi-las com a livres, de baixa potência e usando muitas vezes transmissores homologados pela própria Anatel.

assim, entre todas as modalidades de rádio que conhecemos, ao estabelecermos a Constituição como referência, e não as leis infra-constitucionais, as livres são totalmente legais, muito mais legais, e tomam a ilegalidade como dispositivo de mudança de comportamento, que no esquema técnico-cultural do broadcasting é pra ser passivo e acanhado…

Então, ontem conhecemos a pessoa do ronaldo, em uma reunião a noite 7 e 30 e ficamos até umas 9 da noite. Tivemos uma experiência nova e bastante invoadora, e foi de grande expectativa conhecer cada um de nós e ele por ser também de um outro coletivo de rádio.

Bem moçada, aquilo foi ontem e hoje, tivemos um primeiro dia junto com o Ronaldo do coletivo Aminésia, e inicialmente, tivemos um percusso para carregar os equipamentos e atravessar o igarapé dentro de uma catraia até o outro lado da margem, chegando no bairro Abial, nesta primeira ansiosa aventura fomos, Jorge, Ronaldo e Serginho(eu), como o acompanhamento do guile da Rádio Xibé.

Num sol de lascar de 1 hora da tarde, chegamos 1 e 30 da tarde no local onde ficará instalada a rádio Voz da Ilha, e lá nos conhecemos e trocamos algumas idéias iniciais…

Conhecemos todas as partes de uma rádio livre, transmissor, antena, cabos, e possíveis materiais que pode dar uma incrementada na programação da rádio e a dinâmica de transmissão.

Fizemos experimentações e utilização da mesa de som, com musicas e mixagens, também falas no microfone…. e na sequência uma conversa sobre o uso de software livre, que foi um assunto novo para muitos e que a utilização de um sistema operacional de código aberto, será com certeza instalado em um computador que ficará na rádio.

Um computador com linux, e experimentações radiofônicas e programas de rádios com a ideologia de democratizar os meios de comunicações.

Em Tefé, é algo crescente e que nós da voz da ilha, estamos enganjados em perdurar para todo e sempre.

Gente no primeiro dia de debate com o Ronaldo foi tudo de bom, primeiramente ele mostrou os tão aquardados equipamentos, principais para a alma da rádio, como o trasmissor, o cabo, a antena, e outras coisas, a conversa sobre equipamento durou muito, mais muito mesmo.
Colocando a mão na massa, fizemos um áudio de uma conversa sobre softwere livre, que abriu muito a mente das pessoas que não entendiam sobre isso. Lemos tambem o edital do projeto no laboratorio de informatica da escola.
Então foi isso, teremos uma semana toda de atividades

Bom moçada esperta venho através deste para relatar á esperiencia que estamos tendo nessa semana, nosso transmissor chegou e junto com ele uma pessoa ecepicional, esta nos injetando algo novo nas nossas veias comunicativas nos trazendos e incentivando a fazer com que o movimento de radio livre seje levado mais a serio e verdadeiro valeu radio amnesia e descentro na pessoa do Ronaldo…